segunda-feira, julho 30, 2007

Ontem....hoje

(Foto: Nuno Milheiro)



Percorri montes, caminhos por entre a erva seca e gasta pelo passar das estações.
Descalça,fui cortando os pés nos seixos da estrada empoeirada que palmilhei incansávelmente.
Passei frio, sede, mas finalmente encontrei-te.
Não nego que passei muito até conseguir fazê-lo e, encontrar a paz de espírito que há tanto procurava.
Passei frio, por não ter alguém que me aquecesse o coração, que me enternecesse a alma, que me voltasse a fazer sorrir.
Passei sede, por não ter onde beber o amor que tanto precisava, a compreensão e um simples gesto carinhoso, que me voltasse a sentir mulher.
Hoje, olho para as cicatrizes dos meus pés sarados, olho para a minha alma e coração plenos de alegria e conforto, olho para ti...e sou feliz.

sábado, julho 14, 2007

Bar

(Foto: Alba Luna)

Após um dia um tanto ao quanto atribulado, decidimos ter uma saída nocturna, daquelas de amigos.
Juntei-me mais a Alma, a Consciência e o Coração e, lá fomos a um bar.
Um bar acolhedor que fica logo ali na esquina chamado "Ser Incompleto".
Sentámo-nos e olhámos em redor.
A um canto, na sombra, vimos a Tristeza que olhava atenta para a Tentação que por sua vez, fazia sinais ao meu amigo Coração.
Este, por sua vez, olhava aflito para a Consciência como se de uma palavra encorajedora necessitasse.
A meu ver, a Consciência, por vezes não favorece muito o Coração o que faz com que entre eles haja imensas discussões, conflitos de interesses.
Eu, a Paz, bem tento ajudar, mas é impossível, pois quando o Coração decide não há nada que eu, ou alguém possamos fazer para o dissuadir.
A Tentação foi-se aproximando suavemente e arrebatou o Coração da nossa mesa e, lá saíram, com um ar culpado e tímido.
Passaram pelo bar e levaram com eles a Loucura e o Desejo que sem pestanejar se juntaram a eles com agrado.
Saíram.
Já uns anos passaram e ninguém os voltou a ver naquele bar.
Eu, tento continuar em paz e não me deixar levar pela Tentação.

terça-feira, julho 03, 2007

Partilha


Perdi-me no teu olhar profundo, hipnotizada transportei-me para um lugar imaginário, belo, onde a serenidade invadia cada parte do meu corpo de uma maneira sofucante. Calafrios e tremores de prazer, assaltaram a minha alma, deixando-me completamente indefesa.
Pela primeira vez, baixei a armadura que me segurava e deixei-me levar.
Olhei-te.
Tentei entrar dentro de ti, através das portas convidativas do teu olhar.
Olhos lindos, castanhos orleados por um verde seco.
Devagar, penetrei no teu ser e fui descobrindo todos os cantos recalcados que, até então, me tinham sido vedados por medo.
Como dois estranhos, unimos os nossos lábios como que selando um pacto....um pacto que abolia definitivamente os nossos receios.
Fechámo-nos, por momentos, num mundo só nosso.
Trocámos fantasias, sonhos, objectivos.
Tornámo-nos num ser unicelular.
Olhos nos olhos, descobrimo-nos....sem medo.