terça-feira, outubro 28, 2008






Voltei a sonhar.
Confesso que tinha perdido a esperança, de voltar se se quer a sorrir, quanto mais sonhar.
Bem diz o ditado que "enquanto há vida, há esperança"...é bem verdade.
Sou completamente apologista que temos alguém dstinado a completar-nos...como uma alma gémea.
Alguém que seja aquela "metade" que, até a acharmos, pensamos ser quase impossível de existir.
E...quando mens esperamos....surge. Não num cavalo branco como nos filmes de amor, não no virar de uma esquina como num romance de um autor conhecido, mas sim...do nada.
E eis que surgiste na minha vida, vindo ainda nem sei bem de onde, nem sem te chamar.
Mas não fez mal...
Agora posso dizer que a minha vida, ao fim de tantos longos anos tomou outro rumo.
Os dias tornaram-se mais claros, o ar mais respiravel, tudo à minha volta se tornou belo e maravilhoso.
Vejo a vida com outros olhos que outrora se encontravam encobertos por um véu falso.
Obrigada por teres surgido...não sei de onde...nem me interessa.

sexta-feira, setembro 12, 2008

O Olhar


(foto: Gonçalo Silva)


Agora percebo porque alguém disse que "os olhos são o espelho da alma".
Esbarrei em ti, no virar de uma esquina.
Fiquei vidrada num olhar que me penetrou a alma.
Olhar doce, meigo, sincero, puro.
Nunca me tinha apercebido que tal olhar existia.
Por momentos senti-me desconfortável e envergonhada por não conseguir ter tamanha profundez nos meus.
Olhos castanhos, pestanas longas como as de uma criança inocente.
Quis que esse olhar fosse meu, esse olhar que me seduzia incansávelmente e que me pedia que desesperadamente te confortasse.
Vacilei, tremi e... desviei o meu olhar criando uma barreira invisivel.
Fi-lo por não querer perder da minha memória a beleza que deles vinha.
Hoje, uns anos mais tarde, ainda recordo aquela esquina.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Que vida esta


Sentada no escuro, percorro o olhar pelo vazio que me rodeia.

Sinto-me só.....tão só.

Nem a luz do candeeiro antigo, preso toscamente no fim da viela me consegue iluminar a alma.

Olho pelo intervalo da cortina desfeita e a cheirar a bolor, a noite.

Corre um brisa fria, mas suave.

A lareira ainda fumega uns restos de jornal queimado.

Que quadro !!!!

Dou uma volta naquilo a que chamo leito, um pedaço de madeira comida pelos bichos com um colchão podre, já com molas partidas que me magoam o corpo magro e cansado.

Enrolo-me cuidadosamente num trapo a que chamo lençol, enquanto bato os dentes de frio.

Que vida esta.

E sonho.

Não...não me queixo.

Pelo menos tenho um tecto para me abrigar.


sábado, janeiro 26, 2008

De volta

Após um longo tempo de reflexão interior, volto cheia de inspiração.

segunda-feira, julho 30, 2007

Ontem....hoje

(Foto: Nuno Milheiro)



Percorri montes, caminhos por entre a erva seca e gasta pelo passar das estações.
Descalça,fui cortando os pés nos seixos da estrada empoeirada que palmilhei incansávelmente.
Passei frio, sede, mas finalmente encontrei-te.
Não nego que passei muito até conseguir fazê-lo e, encontrar a paz de espírito que há tanto procurava.
Passei frio, por não ter alguém que me aquecesse o coração, que me enternecesse a alma, que me voltasse a fazer sorrir.
Passei sede, por não ter onde beber o amor que tanto precisava, a compreensão e um simples gesto carinhoso, que me voltasse a sentir mulher.
Hoje, olho para as cicatrizes dos meus pés sarados, olho para a minha alma e coração plenos de alegria e conforto, olho para ti...e sou feliz.

sábado, julho 14, 2007

Bar

(Foto: Alba Luna)

Após um dia um tanto ao quanto atribulado, decidimos ter uma saída nocturna, daquelas de amigos.
Juntei-me mais a Alma, a Consciência e o Coração e, lá fomos a um bar.
Um bar acolhedor que fica logo ali na esquina chamado "Ser Incompleto".
Sentámo-nos e olhámos em redor.
A um canto, na sombra, vimos a Tristeza que olhava atenta para a Tentação que por sua vez, fazia sinais ao meu amigo Coração.
Este, por sua vez, olhava aflito para a Consciência como se de uma palavra encorajedora necessitasse.
A meu ver, a Consciência, por vezes não favorece muito o Coração o que faz com que entre eles haja imensas discussões, conflitos de interesses.
Eu, a Paz, bem tento ajudar, mas é impossível, pois quando o Coração decide não há nada que eu, ou alguém possamos fazer para o dissuadir.
A Tentação foi-se aproximando suavemente e arrebatou o Coração da nossa mesa e, lá saíram, com um ar culpado e tímido.
Passaram pelo bar e levaram com eles a Loucura e o Desejo que sem pestanejar se juntaram a eles com agrado.
Saíram.
Já uns anos passaram e ninguém os voltou a ver naquele bar.
Eu, tento continuar em paz e não me deixar levar pela Tentação.

terça-feira, julho 03, 2007

Partilha


Perdi-me no teu olhar profundo, hipnotizada transportei-me para um lugar imaginário, belo, onde a serenidade invadia cada parte do meu corpo de uma maneira sofucante. Calafrios e tremores de prazer, assaltaram a minha alma, deixando-me completamente indefesa.
Pela primeira vez, baixei a armadura que me segurava e deixei-me levar.
Olhei-te.
Tentei entrar dentro de ti, através das portas convidativas do teu olhar.
Olhos lindos, castanhos orleados por um verde seco.
Devagar, penetrei no teu ser e fui descobrindo todos os cantos recalcados que, até então, me tinham sido vedados por medo.
Como dois estranhos, unimos os nossos lábios como que selando um pacto....um pacto que abolia definitivamente os nossos receios.
Fechámo-nos, por momentos, num mundo só nosso.
Trocámos fantasias, sonhos, objectivos.
Tornámo-nos num ser unicelular.
Olhos nos olhos, descobrimo-nos....sem medo.